Sistema Eletrônico de Administração de Conferências - UDESC, III Seminário Internacional História do Tempo Presente - ISSN 2237 4078

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Patrimônio, memória e história oral: os processos de tombamentos no estado do Rio Grande do Sul fundamentados pelo critério étnico
Guilherme Dias

Última alteração: 2017-10-13

Resumo


O presente trabalho procura refletir acerca das contribuições da história oral para as pesquisas sobre o patrimônio cultural. Em nossa pesquisa, analisamos os processos de tombamento realizados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE) entre os anos 1980 e 2000. Desde 1970, a responsabilidade pela proteção e manutenção dos patrimônios torna-se partilhada entre a União, Estados e Municípios; conforme as diretrizes e recomendações da Carta da Brasília 1970 e do Compromisso de Salvador 1971. Na pesquisa analisamos os processos de tombamento estaduais e seus impactos, frutos desta partilha de responsabilidade. A fim de reconhecer o impacto do processo de preservação na memória, privilegiamos os processos de tombamento cujo critério étnico - isto é, a relação com determinado grupos étnicos, ou com a história da imigração, ou descendentes de imigrantes - nortearam e qualificaram a preservação do bem. A partir disso, duas outras etapas são fundamentais: a aplicação de questionários, visando atestar o reconhecimento do bem em questão, a concepção de patrimônio e a relação entre indivíduo e bem tombado, entre outras; e também a realização de entrevistas mediante seleção dentre os respectivos questionários aplicados. Com objetivo de ampliar a possibilidades de interpretações acerca do impacto do tombamento nos grupos e comunidades que habitam as proximidades e a periferia dos bens tombados, a história oral é elemento fundamental. Ela é concebida no trabalho como parte da metodologia de pesquisa, procurando atestar a relação entre patrimônio e a comunidade ao qual está inserido, bem como sua relação com a memória individual e coletiva, para a compreensão das relações entre patrimônio, identidade (étnica) e memória do ponto de vista dos impactados pela preservação desses referenciais e não dos agentes protetores do patrimônio.


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